Início CíênciaDe volta da Lua, astronautas dos EUA pedem sanduíche congelado como primeira refeição

De volta da Lua, astronautas dos EUA pedem sanduíche congelado como primeira refeição

por Notícia Baré
Ao retornarem da missão Artemis 2, astronautas dos EUA mataram a saudade da Terra com um sanduíche industrial de pasta de amendoim com geleia, bem longe da comida “de mãe”.

Depois de dez dias no espaço, orbitando a Lua na missão Artemis 2, três astronautas norte-americanos e um canadense finalmente voltaram para casa — e a primeira vontade não foi filé, hambúrguer artesanal ou torta caseira, mas um sanduíche industrial de pasta de amendoim com geleia, daqueles de marca famosa nos EUA. Em pleno resgate no mar, a Marinha dos Estados Unidos entregou aos montes o lanche pedido pela equipe: os Uncrustables, sanduíches congelados, redondos e sem casca, vendidos como “a melhor parte do sanduíche”.

O pedido inusitado joga luz sobre a cultura alimentar norte-americana e nossa relação com a chamada “comida de conforto”. Em vez de lembrar o sanduíche preparado em casa, com pão fresco e geleia passada na hora, os astronautas recorreram a um produto pronto, congelado, que já faz parte da memória afetiva de muitas famílias nos EUA. A própria indústria se encarrega de ocupar esse lugar, ao vender praticidade para pais e mães em rotinas cada vez mais corridas.

Nos Estados Unidos, biscoitos, salgadinhos, achocolatados e lanches prontos se tornaram, há décadas, personagens fixos das lancheiras escolares. O recado é sempre o mesmo: “facilite a manhã, coloque um sanduíche pronto na lancheira dos seus filhos”. Se antes o lanche era montado em casa, hoje muita gente cresce associando carinho e conforto a produtos ultraprocessados.

Esse fenômeno, porém, não é exclusivo dos EUA. No Brasil, também é comum ver crianças indo para a escola com biscoitos coloridos, salgadinhos, “suquinhos” de caixinha e outros produtos ultraprocessados, que acabam ocupando o espaço de frutas, pães simples, bolos caseiros e preparos com ingredientes frescos. A pergunta que fica é: o que essa geração vai sonhar em comer ao voltar de uma longa viagem, ou de uma “Lua” simbólica do dia a dia?

Por outro lado, cresce no país uma geração de adultos mais atentos à alimentação, com preocupação maior com saúde, agricultura familiar e valorização de sabores locais. Políticas públicas já exigem que parte da merenda escolar seja feita com produtos in natura e regionais, aproximando o prato das crianças do campo, das feiras e da cultura alimentar brasileira.

Do Amazonas à mesa do mundo, não faltam exemplos de memórias afetivas muito diferentes de um sanduíche congelado: peixe no tucupi, arroz com feijão bem temperado, carne de panela com mandioca, couve picadinha saindo fumegante da panela ou a tradicional feijoada de sábado. Para muitos brasileiros, é esse tipo de comida simples e fresca, feita em casa ou em restaurantes populares, que conforta depois de dias difíceis — e não um ultraprocessado de embalagem colorida.

Quem sabe, em uma futura missão Artemis 20, tenhamos um astronauta brasileiro voltando do espaço louco para matar a saudade de um bom prato de feijão com arroz, um peixe amazônico no tucupi ou uma feijoada completa, em vez de um lanche congelado. No fim, a discussão sobre o sanduíche dos astronautas ajuda a lembrar que nossas escolhas à mesa dizem muito sobre quem somos, de onde viemos e que futuro queremos para a alimentação das próximas gerações.

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