
O rei Charles 3º fará, neste mês, seu primeiro discurso no Congresso dos Estados Unidos desde que assumiu o trono britânico, em uma visita oficial desenhada para reforçar os laços históricos entre os dois países. A viagem também coloca o monarca no centro de debates políticos e de cobranças ligadas ao caso Jeffrey Epstein.
De acordo com o Palácio de Buckingham, a agenda começa em 27 de abril e se estende por quatro dias, com a viagem apresentada como gesto de “reconhecimento da história compartilhada” e dos “laços profundos” entre britânicos e norte-americanos. O discurso de Charles no Capitólio está marcado para 28 de abril e será feito a parlamentares das duas Casas, em sessão anunciada pelo presidente da Câmara, Mike Johnson.
Será a primeira vez que um monarca britânico fala ao Congresso dos EUA desde a rainha Elizabeth 2ª, que discursou no Capitólio em 1991. A visita também prevê um encontro de Charles e da rainha Camilla com o presidente Donald Trump e a primeira-dama Melania, em Washington, incluindo um chá e um jantar de Estado na capital norte-americana.
A aproximação com Trump vem provocando críticas no Reino Unido, em meio às divergências públicas entre o presidente norte-americano e o premiê britânico, Keir Starmer, sobre a guerra no Irã. Mesmo assim, Starmer classificou a viagem como “muito importante” e afirmou que os vínculos construídos pela monarquia podem “perdurar por décadas em uma situação como esta”.
Organizações e parlamentares britânicos pressionam para que Charles se encontre com vítimas ligadas ao escândalo Epstein durante a passagem pelos EUA. Familiares de Virginia Giuffre, uma das principais denunciantes do caso, que morreu por suicídio no ano passado, também defenderam uma reunião do rei com sobreviventes de abuso.
Uma fonte ouvida pela agência Press Association, porém, afirmou que esse encontro “não será possível”, o que alimenta críticas sobre como a família real administra as consequências do escândalo envolvendo o príncipe Andrew, irmão de Charles, e o financista Jeffrey Epstein, condenado por crimes sexuais.
Depois dos compromissos em Washington, o roteiro leva Charles e Camilla a Nova York e ao estado da Virgínia, região que abriga algumas das primeiras colônias inglesas na América do Norte. A viagem termina nas Bermudas, em mais um compromisso internacional do rei, e será a primeira visita de Charles ao território desde que se tornou monarca, segundo o Palácio de Buckingham.

