Início GeralBrasilBloqueio de Hormuz faz exportações brasileiras ao Golfo caírem 31% em março, mas saldo do ano ainda é positivo

Bloqueio de Hormuz faz exportações brasileiras ao Golfo caírem 31% em março, mas saldo do ano ainda é positivo

por Notícia Baré
Navios cargueiros no Golfo Pérsico próximos ao estreito de Hormuz, região que hoje afeta diretamente as exportações brasileiras de grãos, carnes, açúcar e fertilizantes.

O fechamento do estreito de Hormuz por causa da guerra no Irã interrompeu a trajetória de alta das exportações brasileiras para países do Golfo Pérsico, região estratégica para o agronegócio e para produtos minerais do Brasil. Em março, as vendas para Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Bahrein e Omã caíram 31,47% na comparação com o mesmo mês do ano passado, somando 537,11 milhões de dólares, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento e da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira.

Apesar da queda, o mês ainda fechou com superávit de 41,4 milhões de dólares para o Brasil, mesmo com alta de 113% nas importações, puxada principalmente por fertilizantes. No acumulado de janeiro a março, as exportações brasileiras para a região cresceram 8,14%, chegando a 2,41 bilhões de dólares, com saldo positivo de 1 bilhão de dólares no período.

O agronegócio, que responde por cerca de 75% das vendas ao Golfo, registrou recuo de 25,38% em março, mas mantém alta de 6,8% no trimestre, com 1,44 bilhão de dólares exportados. Entre os produtos mais afetados, o açúcar teve queda de 43,37% no mês, para 54,07 milhões de dólares, e o milho praticamente deixou de ser embarcado para a região.

Por outro lado, alguns itens conseguiram crescer mesmo em meio à crise logística. O café avançou 34,24% em março, para 9,97 milhões de dólares, e acumulou alta de 64,3% no trimestre, chegando a 49,58 milhões de dólares. A carne bovina também se destacou, com aumento de 24,7% nas exportações do mês, para 47,75 milhões de dólares, e salto de 65,29% no trimestre, somando 194,56 milhões de dólares.

As carnes de aves e derivados, principal produto da pauta agropecuária para o Golfo, recuaram 13,8% em março, para 185,5 milhões de dólares, e acumulam queda de 2,32% no ano, totalizando 619,12 milhões de dólares. Especialistas apontam que o desempenho da carne bovina reflete sobretudo a valorização do preço médio, já que o volume em toneladas teve retração.

O bloqueio de Hormuz e o desvio de rotas aumentaram custos de frete e seguros, com armadores cobrando “taxas de guerra” e navios precisando contornar a África, o que alonga viagens e encarece operações. Ainda assim, analistas avaliam que a demanda estrutural dos países árabes por alimentos e o fortalecimento do Brasil no mercado de carne halal garantem a continuidade das compras no longo prazo, mesmo com oscilações durante períodos de conflito.

Do lado das importações, a pauta brasileira é concentrada e teve forte salto em março nos fertilizantes, cuja compra a partir dos países do Golfo cresceu 268% em valor e 171% em volume na comparação com fevereiro, alcançando 30 milhões de dólares e 52,9 mil toneladas. No trimestre, porém, houve queda de cerca de 51% no valor total importado de fertilizantes, para 85 milhões de dólares, o que indica ajuste de fluxo ao longo dos meses.

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