
A Prefeitura de Manaus concluiu uma etapa considerada decisiva nas obras do parque Encontro das Águas Rosa Almeida, um dos projetos urbanísticos mais simbólicos da capital amazonense: a contenção do talude, área que apresenta desnível superior a 60 metros entre o topo e o nível das águas do rio Negro.
Para estabilizar a encosta, o Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb) utilizou a técnica de jet grouting, que consiste na injeção de cimento em alta pressão no solo, aumentando a resistência e a segurança da estrutura. No total, foram executadas 265 estacas, com o consumo de 69.656 sacos de cimento de 42,5 quilos, resultando em mais de 10.703 metros lineares de injeção.
De acordo com o engenheiro e diretor-presidente do Implurb, Antonio Peixoto, a conclusão dessa fase representa um avanço importante no cronograma das obras e garante a estabilidade necessária para a continuidade da construção do parque. Ele destacou que, com a contenção do talude concluída, os trabalhos seguem em outras frentes, incluindo a oca multiuso e demais estruturas do complexo.
O vice-presidente do Implurb, arquiteto e urbanista Pedro Paulo Cordeiro, reforçou que o jet grouting foi fundamental para a segurança do empreendimento, permitindo agora o avanço para as etapas finais. A próxima fase prevê a conexão da contenção ao nível da água, com a aplicação de solução em estaca-prancha, técnica já utilizada no mirante Lúcia Almeida, também às margens do rio Negro.
A estabilização da encosta era apontada como um dos desafios mais complexos do projeto, por envolver questões geotécnicas e a grande altura do talude. A obra combina engenharia de alta complexidade com valorização paisagística e integra o conjunto de projetos estruturantes da cidade, com previsão de entrega do parque no segundo semestre de 2026.
Idealizado pelo arquiteto Oscar Niemeyer, em 2005, o parque Encontro das Águas Rosa Almeida é o único projeto do urbanista para o Amazonas e está sendo construído em área estratégica, com vista privilegiada para o encontro dos rios Negro e Solimões. Distribuído em mais de 120 mil metros quadrados, o espaço foi configurado como parque urbano, com encostas acentuadas e grande declividade.
O projeto prevê uma oca multiuso e um restaurante incrustado no talude, além de um museu com cúpula de concreto e duas lâminas verticais – uma amarela, representando o rio Solimões, e outra preta, simbolizando o rio Negro – com cerca de 20 metros de altura. Jardins com espécies nativas vão compor a paisagem, mesclando grandes árvores, arbustos e áreas verdes para contemplação.
O parque também passou por ajustes de acessibilidade e de funcionalidade, incluindo pórtico de entrada, área administrativa, espaço multiuso, quiosques, banheiros públicos e estacionamentos, todos pensados para garantir acesso a Pessoas com Deficiência (PcDs). As áreas externas contarão ainda com academia ao ar livre, playground e espaço para animais de estimação (playpet), em uma área de implantação de 17.533,18 metros quadrados, acompanhada por equipe de arqueologia.

