Início CíênciaPor que o espaço é escuro mesmo com a luz do Sol e das estrelas

Por que o espaço é escuro mesmo com a luz do Sol e das estrelas

por Notícia Baré
Mesmo com o Sol brilhando e incontáveis estrelas ao fundo, astronautas veem um espaço majoritariamente escuro porque, fora da Terra, quase não há partículas para espalhar a luz.

A missão Artemis 2 reacendeu uma dúvida clássica de quem acompanha as viagens espaciais: se o Sol e bilhões de estrelas estão emitindo luz o tempo todo, por que o espaço continua escuro na maior parte do tempo? A resposta passa por fenômenos físicos que começam aqui na Terra e se estendem à forma como o próprio universo funciona.

No nosso planeta, a luz do Sol só se torna visível como “claridade” porque é refletida ou espalhada pelas moléculas da atmosfera. Quando os fótons interagem com gases como nitrogênio e oxigênio, a luz se dispersa em todas as direções e ilumina o céu, num processo conhecido como espalhamento de Rayleigh — o mesmo que deixa o céu azul durante o dia e avermelhado ao amanhecer e ao entardecer.

No espaço, o cenário é outro: praticamente não há atmosfera e existem pouquíssimas partículas para refletir ou espalhar a luz. Assim, os raios solares e a luz das estrelas simplesmente atravessam o vazio sem “acender” o ambiente ao redor, o que faz com que, mesmo ao lado de uma estrela brilhante, a escuridão predomine em todas as direções.

Esse comportamento está ligado também ao chamado Paradoxo de Olbers, que questionava por que o céu noturno é escuro se o universo fosse infinito, eterno, estático e cheio de estrelas por todos os lados. A ciência mostrou, porém, que o universo teve um início, com o Big Bang, e está em expansão, o que faz com que muita luz ainda não tenha chegado até nós e perca energia ao longo do caminho.

Além disso, a densidade de estrelas não é tão grande quanto a imaginação sugere, e a poeira cósmica ajuda a bloquear parte da radiação. Em resumo, a combinação entre a ausência de atmosfera no espaço, as grandes distâncias, a expansão do universo e a distribuição das estrelas faz com que o “fundo” do cosmos permaneça escuro, apesar da presença de incontáveis astros luminosos.

A dúvida sobre a escuridão também aparece nas fotos feitas na Lua e em naves espaciais, em que as estrelas quase nunca aparecem. Isso acontece porque as câmeras precisam ser configuradas para registrar objetos muito brilhantes, como a superfície lunar ou a própria nave iluminada pelo Sol; com esse ajuste, a luz fraca das estrelas ao fundo simplesmente não é captada. Como explica a astrofísica Becky Smethurst, da Universidade de Oxford, o equipamento é calibrado para o brilho intenso da cena principal e não consegue registrar, ao mesmo tempo, os pontos de luz bem mais fracos do céu.

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