
As eleições presidenciais no Peru caminham para um segundo turno entre a direitista Keiko Fujimori, do partido Força Popular, e o ultradireitista Rafael López Aliaga, da Renovação Popular. Com a apuração ainda em andamento, os dois aparecem à frente na disputa, em um cenário de fragmentação partidária e forte rejeição popular à classe política tradicional.
López Aliaga, empresário e ex-prefeito de Lima, já colocou em dúvida o processo eleitoral, denunciando suposta fraude sem apresentar provas e pedindo a prisão dos responsáveis pela organização do pleito. O discurso ecoa a estratégia de outros líderes da extrema direita na região, que costumam questionar as instituições quando o resultado não é plenamente favorável.
Keiko Fujimori, filha do ex-ditador Alberto Fujimori, tenta mais uma vez chegar ao comando do país, apesar do desgaste da marca fujimorista, associada a autoritarismo, corrupção e violações de direitos humanos. Mesmo assim, ela mantém um eleitorado fiel, que a vê como liderança capaz de restaurar a estabilidade econômica e a “ordem” no país.
O cenário reforça a polarização no Peru, que enfrenta anos de crise política, sucessivas trocas de presidentes e desconfiança generalizada nas instituições. Analistas apontam que, qualquer que seja o resultado, o próximo governo terá de lidar com um Congresso fragmentado e um ambiente social tenso, o que tende a dificultar a governabilidade.

