Início GeralBrasilExportadores brasileiros já podem pedir cotas com tarifa reduzida no acordo Mercosul–União Europeia

Exportadores brasileiros já podem pedir cotas com tarifa reduzida no acordo Mercosul–União Europeia

por Notícia Baré
Exportações de carne e outros produtos agropecuários devem ganhar espaço no mercado europeu com as novas cotas do acordo Mercosul–UE.

O governo brasileiro oficializou, nesta sexta-feira (1º de maio de 2026), as regras para uso das cotas tarifárias previstas no acordo Mercosul–União Europeia, que começou a valer de forma provisória após duas décadas de negociações. A medida define como exportadores e importadores poderão acessar tarifas reduzidas em produtos considerados sensíveis no comércio entre os dois blocos.

Portarias da Secretaria de Comércio Exterior (Secex/MDIC) regulamentam o Decreto nº 12.953/2026 e estabelecem que, nas importações, itens como veículos, lácteos, alho, chocolates e preparações de tomate passarão a seguir registro específico no Portal Único Siscomex, com prazo de até 60 dias para vinculação à Declaração Única de Importação (Duimp). Nas exportações, carnes, açúcar, etanol, arroz, milho, mel, ovos e bebidas como rum e cachaça terão cotas próprias, distribuídas por ordem de solicitação e acompanhadas de um Certificado de Autorização de Cotas Mercosul, exigido para aplicação das tarifas reduzidas na União Europeia.

Apesar da regulamentação, ainda não há consenso entre Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai sobre a divisão interna das cotas. Até que haja acordo, cada país seguirá com seus próprios procedimentos, sem alterar o volume total já negociado com a UE, o que tende a favorecer inicialmente o Brasil, especialmente no setor de carnes, pela maior capacidade produtiva e exportadora.

O ano de 2026 deve servir como fase de adaptação para empresas e governos, com ajustes operacionais no comércio exterior. Exportadores de carnes, açúcar e etanol tendem a ganhar competitividade no mercado europeu, enquanto setores considerados sensíveis, como lácteos e veículos, terão proteção parcial por meio das cotas tarifárias. A indefinição sobre a partilha, porém, pode gerar tensão dentro do Mercosul em áreas estratégicas para os países-membros.

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