Início PolíticaBrasilDerrotas no Congresso elevam pressão sobre Lula enquanto PT aposta no fim da escala 6×1

Derrotas no Congresso elevam pressão sobre Lula enquanto PT aposta no fim da escala 6×1

por Notícia Baré

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante evento no Palácio do Planalto em meio a aumento da pressão política após derrotas do governo no Congresso.

Após uma semana marcada por derrotas no Congresso Nacional, a oposição ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avalia que houve uma mudança significativa na correlação de forças dentro do Legislativo e pretende usar esse cenário como impulso político até as eleições de outubro. Já aliados do Planalto tentam conter o desgaste e veem na proposta de fim da escala trabalhista 6×1 a principal vitrine social para recuperar terreno e dialogar com a base eleitoral.

A rejeição do nome de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF) e a derrubada do veto presidencial ao projeto da dosimetria são tratadas por senadores bolsonaristas e lideranças do Centrão como demonstrações de força e capacidade de formar maioria em temas sensíveis ao governo. A leitura é de que o resultado dessas votações amplia o poder de pressão sobre o Palácio do Planalto e sobre o próprio STF em um momento de acirramento pré-eleitoral.

Entre oposicionistas, há quem defenda a repetição desse modelo de articulação em futuras votações, inclusive para sustentar pressão por pedidos de impeachment contra ministros do Supremo, embora se reconheça que a aprovação de um afastamento ainda esteja distante. Na base governista, por outro lado, o diagnóstico é de falhas na articulação política, dificuldade de mobilizar aliados e sinais de infidelidade entre partidos que formalmente integram o bloco de apoio a Lula.

Dirigentes do PT falam em necessidade de reorganizar a liderança do governo no Congresso, após o que classificam como uma das semanas mais difíceis do terceiro mandato de Lula. A preocupação é evitar que o desgaste contamine a tramitação da proposta que extingue a escala 6×1, considerada central para reforçar o discurso trabalhista e social do presidente.

A derrubada do veto ao projeto da dosimetria é vista por petistas como um retrocesso e um gesto de benevolência em relação a envolvidos em ataques à democracia. A medida pode beneficiar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), condenado a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado, a partir de eventual recálculo de pena a ser feito pelo STF com base nas novas regras.

Para reagir, o governo aposta em três frentes em defesa da PEC que acaba com a escala 6×1: intensificar a pressão social, consolidar acordos com as presidências da Câmara e do Senado e usar o projeto de lei sobre o tema, que tramita em regime de urgência, como instrumento adicional de negociação. A ideia é transformar o debate sobre jornada de trabalho reduzida em pauta de forte apelo popular, com potencial de mobilização inclusive em segmentos mais conservadores.

A expectativa é que avance uma solução que reduza a jornada para 40 horas semanais, com escala padrão de 5×2, alterando diretamente a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Líderes petistas acreditam que essa agenda, associada ao discurso de mais tempo de descanso e convívio familiar, pode ajudar a neutralizar parte do desgaste provocado pelas recentes derrotas no Congresso.

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