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App falso de alerta de mísseis em Israel rouba dados por SMS durante guerra no Oriente Médio

por Notícia Baré
Criminosos criaram um aplicativo falso de alerta de mísseis que copia o visual do serviço real em Israel para roubar mensagens, contatos e localização das vítimas durante a guerra

Em meio à rotina de sirenes e notificações de emergência em zonas de guerra, alertas no celular deixaram de ser simples avisos para se tornar uma ferramenta de sobrevivência diária em países como Ucrânia e Israel. Criminosos vêm se aproveitando desse cenário para espalhar um aplicativo falso que imita sistemas oficiais de alerta de mísseis e rouba dados de moradores em regiões sob ataque no Oriente Médio.

O golpe foi identificado em Israel e parte de uma versão adulterada de um app de Android inspirado no Red Alert, aplicativo conhecido por enviar notificações sobre disparos de foguetes no país. Mesmo sendo falso, o app mantinha os alertas de mísseis em funcionamento para se passar por legítimo e reduzir a desconfiança das vítimas após a instalação.

Segundo análises das empresas de cibersegurança Acronis e CloudSEK, a campanha começa com o envio de mensagens SMS em nome de supostas autoridades israelenses, com orientações sobre segurança e um link para download do aplicativo. Ao clicar, o usuário baixa um arquivo APK e instala o app fraudulento, que solicita diversas permissões sensíveis no aparelho.

Depois de instalado, o aplicativo passa a coletar informações como mensagens SMS, lista de contatos e dados de localização, encaminhando tudo para servidores controlados pelos criminosos. A Acronis identificou que o software malicioso chega a pedir até 20 tipos de permissões diferentes no smartphone, muito além do necessário para um app de alerta. Para não levantar suspeitas, o programa continua exibindo notificações reais de ataques, simulando o comportamento do serviço original.

Israel conta com mais de uma ferramenta para avisar a população sobre mísseis. O aplicativo oficial do governo, chamado Home Front Command, envia alertas e instruções em tempo real com base na localização do usuário e em áreas de interesse definidas no app. Ele orienta, por exemplo, quando buscar abrigo e quais medidas tomar durante um ataque. Já o Red Alert, copiado pelos golpistas, é mantido por terceiros e se alimenta justamente das informações do Home Front Command para emitir seus avisos.

Durante a investigação, especialistas descobriram que os criminosos desenvolveram uma versão “trojanizada” do Red Alert e passaram a distribuí‑la por SMS como se fosse uma comunicação oficial do Home Front Command, mirando diretamente moradores israelenses. Em resposta, a Diretoria Nacional de Cibersegurança de Israel reforçou que órgãos oficiais não enviam links de download de aplicativos por mensagem de texto.

A técnica usada no ataque é classificada como smishing, um tipo de golpe que se vale de SMS para induzir o usuário a clicar em links, instalar malware ou entregar dados pessoais. De acordo com a IBM, o smishing é uma variação do phishing que troca o e‑mail pela mensagem de texto, mas mantém a mesma lógica de engenharia social: explorar medo, urgência e sensação de autoridade para forçar decisões impulsivas. No caso dos alertas de mísseis, o contexto de guerra e a fragilidade emocional da população aumentam significativamente a eficácia da fraude.

Golpes com aplicativos falsos, no entanto, não se restringem a áreas em conflito. No Brasil, já foram identificados apps maliciosos que se passam por “atualizações” ou serviços de rotina, pedem permissões invasivas e, em seguida, roubam dados pessoais das vítimas. A lógica é a mesma: usar a confiança do usuário, disfarçar o malware de ferramenta útil e explorar brechas de segurança nos celulares.

Especialistas recomendam alguns cuidados básicos para reduzir o risco de instalar apps falsos:

Confirmar sempre se o aplicativo é oficial, evitando clicar em links recebidos por SMS e buscando o app diretamente nas lojas oficiais do Android ou iOS.

Desconfiar quando um app simples pede muitas permissões, como acesso irrestrito a mensagens, contatos e localização.

Em caso de suspeita, desinstalar imediatamente o aplicativo, revisar permissões concedidas e monitorar atividades incomuns no aparelho.

Em cenários de crise, a necessidade de informação rápida não pode substituir a atenção com a segurança digital, sob risco de transformar o celular em uma porta aberta para espionagem e roubo de dados.

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