
Na semana, a moeda acumulou desvalorização de 2,90% contra o real e, no ano, já perde 8,72%. Na B3, o dólar futuro para maio, o contrato mais negociado, cedia 0,94% no fim da tarde, sendo cotado a R$ 5,0345.
Desde o anúncio do acordo de cessar-fogo entre EUA e Irã, na noite de terça-feira, investidores vêm desmontando posições defensivas em dólar, pressionando a moeda para baixo em todo o mundo. Mesmo com o Estreito de Ormuz ainda travado e afetando o transporte global de petróleo, a expectativa de avanço nas negociações de paz fortaleceu moedas de países emergentes, como o real, o peso mexicano e o peso chileno.
No Brasil, o dólar à vista tocou a mínima de R$ 5,0051 às 16h14, na última hora de negócios, nível que não era visto desde o período entre março e abril de 2024. A redução da aversão ao risco, somada à queda do índice DXY — que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de seis moedas fortes — para abaixo de 100, abriu espaço para uma valorização adicional do real, avaliou o diretor da consultoria Wagner Investimentos, José Faria Júnior.
Ele ponderou, porém, que ainda há margem para mais queda do dólar caso o DXY siga recuando. Às 17h10, o índice cedia 0,21%, a 98,669.
Pelo lado doméstico, o IPCA de março, divulgado pelo IBGE, subiu 0,88% na comparação com fevereiro, acima da projeção de 0,77% dos economistas ouvidos pela Reuters, acumulando alta de 4,14% em 12 meses, também acima dos 4,00% esperados. O dado fez as taxas de juros futuros de curto prazo avançarem e reforçou as apostas de que o Banco Central cortará a Selic em apenas 0,25 ponto percentual no fim do mês, e não em 0,50, mantendo o juro básico, hoje em 14,75% ao ano, em patamar elevado.
O diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos — cuja taxa está hoje entre 3,50% e 3,75% ao ano — continua sendo apontado como fator de atração de capital estrangeiro, o que ajuda a segurar o dólar em níveis mais baixos frente ao real. No fim da manhã, o Banco Central também atuou no câmbio, vendendo 50 mil contratos de swap cambial tradicional para rolar o vencimento de 4 de maio.

