Uma comitiva inédita de líderes e ativistas amazônicos iniciou nesta terça-feira (4) uma jornada fluvial histórica de Manaus a Belém (PA) a bordo do barco “Banzeiro da Esperança”. A expedição, batizada de “Jornada COP30”, tem o objetivo de levar a perspectiva e os planos de ação climática das comunidades tradicionais diretamente para a Conferência do Clima das Nações Unidas (COP30), que acontece entre 10 e 21 de novembro na capital paraense.
O nome da embarcação, que remete à força e à resistência dos movimentos das águas, simboliza o compromisso e a luta dos povos da floresta.
Diálogo e Construção de Propostas no Coração da Amazônia
Cerca de 230 pessoas — incluindo lideranças comunitárias, representantes de movimentos sociais, ONGs e instituições públicas — estão a bordo do navio, que foi especialmente adaptado para a missão.
Conforme explicou Eunice Venturi, gerente de Comunicação da Fundação Amazônia Sustentável (FAS), o barco serve como um verdadeiro centro de debates itinerante, realizando oficinas e encontros para construir coletivamente propostas para enfrentar a crise climática.
“O ‘Banzeiro da Esperança’… representa uma jornada que começou no início do ano e que vai levar as vozes dessas comunidades até a COP30,” afirmou Venturi.
Maria Cunha, ativista socioambiental do Movimento Social Médio Juruá, em Carauari (AM), ressaltou a importância da expedição para amplificar a experiência de quem vive na linha de frente da preservação. “Quem faz o trabalho mais árduo de preservação ambiental é quem vive nos territórios, nas comunidades. É um momento de unir forças coletivas,” destacou.
A Carta Final da Amazônia
Todo o conhecimento e as propostas debatidas ao longo da jornada serão consolidados em uma carta final. O documento trará as perspectivas de comunidades indígenas, ribeirinhas e quilombolas para mostrar o ponto de vista de quem sente os impactos das mudanças climáticas de forma mais intensa, conforme adiantou a gerente da FAS.
Navio-Estúdio e Auditório Flutuante
O barco, que antes transportava cargas e passageiros, passou por uma ampla reforma para se tornar o epicentro dessa mobilização. O arquiteto Sérgio Santos detalhou que o projeto incluiu a criação de um auditório para palestras, um estúdio de gravação de podcasts totalmente acústico e até um palco para apresentações culturais, todos pensados para unir funcionalidade e apreciação da paisagem fluvial.
Ao chegar a Belém, o “Banzeiro da Esperança” se transformará em um espaço cultural aberto ao público durante a COP30, oferecendo exposições, oficinas e shows gratuitos.
A Rede Amazônica realiza uma cobertura completa da jornada, com reportagens, vídeos e transmissões ao vivo, garantindo que a repercussão da expedição e os debates da COP30 cheguem a todos os seus públicos.